PESQUISA UNIFESP - ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA

Inédita e recente pesquisa brasileira, conduzida pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e publicada em 2014 no The Journal of Psychopharmacology, da Inglaterra, uma das publicações mais relevantes na área de Psicofarmacologia do mundo, concluiu que a ibogaína  foi capaz de interromper satisfatoriamente a dependência de cocaína, crack e outras formas de vício em 72% dos casos em que foi utilizada.

O estudo foi conduzido por uma equipe formada por 4 profissionais​ –​ o neurocientista Dr. Eduardo Schenberg, o médico Dr. Bruno Rasmussen, a psicóloga Maria Angelica Comis e o médico psiquiatra Prof. Dr. Dartiu Xavier -​ entre Janeiro de 2005 e Março de 2013. 

"O tratamento com ibogaína realizado em hospital, com acompanhamento médico permanente, medicação de boa qualidade e procedência (Medicação GMP ou BPF), em pacientes motivados, é seguro, eficaz e não apresenta complicações", explica o Dr. Bruno Rasmussen, que acompanha pacientes nesse tipo de tratamento há mais de 20 anos, e é considerado uma das maiores referências mundiais nesse tipo de tratamento.  

De acordo com ele, os pacientes receberam acompanhamento por até 3 anos após o tratamento com ibogaína e, nesse período, não foi verificada nenhuma sequela física ou psicológica.

No Brasil, embora não existam restrições legais à ibogaína, o uso da substância como medicamento ainda não está totalmente regulamentado. Os tratamentos  podem ser considerados como uma alternativa para os casos mais graves de dependência química. O Tratamento com ibogaína  deve ser feito a partir de produtos importados, produzidos seguindo as GMP (Good Manufacturing Pratices ou BPF - Boas Práticas de Fabricação) dentro de um hospital, de acordo com procedimento devidamente autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo CONED-SP.

A pesquisa produzida pela UNIFESP acabou dando origem a uma série de enunciados publicados pelo CONED-SP (Conselho Estadual de Política Sobre Drogas do Estado de São Paulo) com o objetivo de regulamentar o uso médico seguro dessa substância.

O Dr. Bruno Rasmussen também ressaltou que uma das principais vantagens do uso da ibogaína contra a dependência química é que, enquanto o paciente que recebe tratamento tradicional, fica, em média, nove meses internado, enquanto aquele que vivencia o tratamento com ibogaína passa apenas 1 dia no hospital. Além da redução do sofrimento e da maior possibilidade de recuperação do paciente, o impacto financeiro é muito significativo.