COMO E PORQUE A IBOGAÍNA FUNCIONA

Todos os seres humanos possuem neurônios, que são as células cerebrais, e esses neurônios produzem neurotransmissores, que são substâncias que modulam o nosso estado de espírito, nosso humor, interesse, iniciativa, etc. Todas as vezes que uma pessoa realiza alguma atividade de que goste, pratica esportes ou realiza atividades básicas dos seres humanos simplesmente para se manterem vivos, como comer, por exemplo, esses neurônios atuam de maneira a recompensar o "bom" comportamento e liberam quantidades bem pequenas de neurotransmissores que trazem bem estar, físico e mental.

Quando uma pessoa usa drogas, bebidas alcoólicas, ou desenvolve algum tipo de comportamento compulsivo, o comportamento do cérebro pode acabar sendo alterado se esse uso for em grandes quantidades e por períodos alongados.

Em um paciente que constantemente usa algum tipo de droga, os neurônios responsáveis por produzir e liberar esses neurotransmissores (como a serotonina, noradrenalina, dopamina) acabam funcionando de maneira irregular. Devido à ingestão de altas quantidades das drogas, esses neurônios passam a funcionar apenas quando são estimulados pela droga. Um encontro com amigos, uma festa, a conquista de um novo negócio/trabalho, não são mais capazes de fazer os neurônios liberarem os neurotransmissores que deixam a pessoa se sentindo bem.

 

As chamadas crises de abstinência não são crises apenas psicológicas, essas crises são também físico /químicas. Afinal, o corpo não produz mais os neurotransmissores que fazem a pessoa ter aquela sensação de bem estar. Com muito tempo de uso de drogas, somente a ingestão de mais uma dose é capaz de fazer o mecanismo funcionar.

A ingestão de uma dose individualmente adequada e devidamente monitorada de ibogaína é capaz de fazer o cérebro se reorganizar e voltar a funcionar normalmente. Com o cérebro voltando a funcionar da maneira correta, os pacientes, já logo após a alta, ou mesmo durante o tratamento, percebem que aquela ansiedade – a chamada fissura - para conseguir mais uma dose, desapareceu.

Em termos um pouco mais técnicos, a ibogaína atua no cérebro estimulando a produção em larga escala de GDNF. Todos os seres humanos possuem GDNF em seus cérebros. Essa substancia é responsável por facilitar a comunicação entre os neurônios, pois ela estimula a conexão entre eles. Os seres humanos possuem mais GDNF no cérebro enquanto bebês, afinal nessa fase da vida tudo é um novo aprendizado, cada dia algo novo para aprender e conhecer, e as conexões entre os neurônios estão se formando dia após dia.

Ao longo dos anos, a quantidade de GDNF vai gradativamente diminuindo. Com a ingestão de ibogaína, ocorre uma super produção de GDNF e, por consequência, a atividade cerebral do paciente aumenta muito. Ocorre um estímulo para que aconteça uma reconexão geral entre os neurônios, com uma normalização do funcionamento dos mesmos, e a consequente normalização da produção dos neurotransmissores, como explicado anteriormente, que devolve o bem estar e retira a necessidade do paciente buscar um bem estar artificial, pelo efeito das drogas.

A altíssima taxa de sucesso com pacientes tratados com ibogaína pode ser explicada pelo fato dela “reconfigurar” o cérebro, devolvendo o mesmo ao estado de equilíbrio em que ele se encontrava, no momento antes da pessoa começar a usar drogas, acabando com as crises de abstinência e a necessidade física de usar mais uma vez. O paciente volta a ter o poder de escolha entre usar ou não, e deixa de ter a “obrigação” de usar para fugir da fissura e da abstinência.  É FUNDAMENTAL o acompanhamento psicológico posterior ao tratamento, no qual um especialista ajuda o paciente a lidar melhor com aquele fato/problema que o levou as drogas.

Uma observação importante: nem todos os pacientes tratados com ibogaína acabam sonhando e tendo visões durante a internação. Isso NÃO SIGNIFICA que a ibogaína não tenha tido efeito. A taxa de sucesso do tratamento com ibogaína independe do fato do paciente ter ou não sonhado durante a internação.